Jorge Palma morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A notícia foi confirmada pela família do músico, numa nota de pesar.
“É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória“, pode ler-se.
“Com uma carreira de 54 anos dedicada à música portuguesa, Jorge Palma deixa uma obra assinalável que faz parte da nossa história. Deixa também muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade“, sublinha o comunicado.
“Neste momento de dor incalculável, a mulher, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os managers, André Sebastião e Tiago Branco, pedem que Jorge Palma seja lembrado pelas suas canções e palavras, agradecendo toda a amizade demonstrada ao longo dos anos“, pediu a família.
“Informações adicionais sobre as cerimónias fúnebres serão partilhadas em devido tempo“-
Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos 6 anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10. Mas começou a tocar antes disso, em casa, onde havia um piano.
Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa.
Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro single em nome próprio, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock.
Na juventude, o que o movia “eram miúdas, festa, aquelas coisas“. No liceu, começou “a ouvir a pop rock, a começar por [Elvis] Presley, mas sobretudo [The] Beatles e [The Rolling] Stones”. “Aí abandonei completamente os estudos clássicos, chumbei no Liceu Camões, no 4.º ano, deixei de ir à ginástica, às aulas de piano“, confessou Jorge Palma em entrevista à Lusa, em 2022.
Depois de terminar o liceu, entrou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que frequentou durante dois anos, acabando por desistir.
Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys.
Ainda na década de 1970, trocou Lisboa por Paris, onde tocou nas ruas e no metro, cantando sobretudo Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Crosby, Stills and Nash e ‘bluegrass’.
Na década de 1980, voltou a Lisboa, retomou os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava Só, editado em 1991, a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores.
Fazem parte desse álbum, por exemplo, Bairro do amor (1977), Na terra dos sonhos (1980), O meu amor existe (1982), Estrela do mar (1984), Deixa-me rir (1985) e Frágil (1989).
Passou o resto dos anos 1990 com a discografia que tinha, avançou com o Palma’s Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau), fez música para teatro, fez parte do grupo Rio Grande, compôs para outros, até editar um novo álbum de originais, É proibido fumar, em 2001.
Seguiram-se Norte (2004), Voo nocturno (2007) e Com todo o respeito (2011). O álbum mais recente, o derradeiro, Vida, foi editado em 2023.
Em maio de 2025 estreou o espetáculo “3 palmas na mão”, no qual se apresentava em palco com os dois filhos.
Vicente Palma fez parte da banda que acompanhava o pai durante cerca de 20 anos.
Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com Jorge Palma, e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum Com todo o respeito.
Em 2020, Jorge Palma recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Em abril de 2026, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção da Audiogest, que gere e representa os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes.
História de amor
Jorge Palma viveu uma longa história de amor com a atriz Rita Tomé, numa relação discreta.
Casaram em Las Vegas, a 27 de novembro de 2008, já depois de partilharem vida há vários anos. Sem convidados nem roupa de cerimónia, Jorge Palma cantou “Encosta-te a Mim” enquanto Rita Tomé entrava na capela.
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Filhos
Jorge Palma teve dois filhos, Vicente Palma e Francisco Palma, ambos seguiram carreiras na área da música.
Vicente Palma: Nasceu em Lisboa em 1983. É cantor, compositor e músico. Lançou o seu álbum de estreia a solo, Parto, em 2012.
Francisco Palma: Nasceu em 1995. É o filho mais novo do cantor e também atua como músico ao lado da família.

Jorge Palma é amplamente recordado no meio artístico e pelo público como uma figura profundamente generosa, educada e de uma amabilidade única. Apesar do seu conhecido espírito rebelde, boémio e genuíno, o trato com os colegas de profissão, amigos e fãs sempre foi pautado por um enorme respeito. Uma voz única, um poeta, que atravessou gerações e deixa uma obra
inigualável.
Foto: Reprodução Instagram Jorge Palma
