Está agendada para hoje, dia 24 de abril, a morte do português que ficou tetraplégico. Ricardo Fernandes, de 44 anos, já se encontra na Suíça, onde terá uma morte medicamente assistida e onde dará o seu último suspiro.
“Até já“, foi assim que o empresário – que vivia preso a uma cadeira de rodas há 16 anos, em sofrimento constante e dependente do cuidado dos outros – se despediu.

No dia 9 de maio de 2009, Ricardo Fernandes viu a sua vida mudar drasticamente. Adormeceu ao volante e sofreu um grave acidente de viação, que o deixou tetraplégico, com uma incapacidade de 95%. Esteve 17 horas, no local até ser encontrado e socorrido.
Seguiu-se foi um longo período de internamento, com várias infeções, uma traqueostomia e uma paragem cardiorrespiratória.
No ano seguinte começou a planear a sua morte e inscreveu-se na associação suíça Dignitas, que, a pedido, presta assistência na morte.
Apesar das dificuldades, reinventou-se, tornou-se empresário e construiu uma família. Teve momentos de felicidade, mas faltava-lhe liberdade. Esta sexta-feira despede-se deste mundo por suicídio assistido, depois de ter deixado os filhos crescerem e com a “vida construída” e a “casa arrumada”.
“Hoje vais partir…e levas parte de mim! Entraste na minha vida sem avisar, mas partes com aviso prévio! Não aceito, é verdade…mas aceito a tua decisão. Vais como queres, tenho a certeza que amanhã vais estar na praia com o pé na areia e principalmente com a bola no peito“, começou por se despedir, nas redes socias, o seu amigo Paulo Battista.
“Faz-me o maior favor da vida, dá um beijo à minha filha e diz-lhe que a amamos muito“, sublinhou o alfaiate, que passou pela dor de perder a filha Leonor à nascença.
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O suicídio assistido é legalizado na Suíça, desde que o paciente não tenha ajuda de terceiros no momento da morte.
Entenda-se que no suicídio assistido (legal na Suíça), o próprio paciente ingere ou ativa a medicação, enquanto na eutanásia um médico administra a dose. A legislação suíça proíbe a eutanásia ativa, mas permite o suicídio assistido, desde que não haja motivos egoístas.
