Moda

Halima Aden deixa a indústria da moda e explica os motivos

A modelo que viveu num campo de refugiados, no Quénia, até aos sete anos e passou a desfilar para os grandes estilistas, decidiu deixar a indústria da moda e explicou os motivos pelo Instagram Stories.

Halima Aden, de 23 anos, fez história ao tornar-se a primeira modelo a posar de véu e burkini – mistura de burca com biquíni – para a revista de fatos de banho Sports Illustrated.

Agora, que só se passaram três anos desde que a conhecemos,  despede-se de uma breve, mas notável carreira.

 

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A modelo fez saber ao mundo que tinha decidido guardar os seus sapatos no armário, e abandonar a indústria. Pelo menos, temporariamente.

Através de uma série de stories, afirmou que por diversas vezes se deixou levar pela vontade de se tornar num exemplo para outras mulheres muçulmanas esquecendo-se (por vezes) dos seus próprios valores, percebendo que havia deixado de lado o que realmente importava para ela, as suas crenças religiosas.

Como já disse por diversas vezes, ser uma minoria dentro de uma minoria dentro de uma minoria nunca é fácil (…) Ser um‘ Hijabi ’ faz com que realmente tenhamos uma jornada com muitos altos e baixos, mas com isso dito, minha hooyo macaan (mãe) tem implorado há anos para abrir os meus olhos” escreveu.

Graças à COVID e à paragem da indústria, finalmente percebi onde errei ao longo da minha jornada pessoal com o hijab (…) gostaria de nunca ter parado de trazer o meu hijab preto para o cenário. Porque no minuto em que fiquei confortável… Vamos apenas dizer que me entusiasmei demais“, continuou.

Só me posso culpar a mim própria por me preocupar mais com a oportunidade do que com o que realmente estava em jogo. Culpo-me por ser ingénua e rebelde“, afirmou, embora aponte o dedo à indústria por não ter stylists muçulmanas.

Ao terminar a modelo revelou que não tem pretensões de voltar a trabalhar no meio da moda tão cedo, e que só deverá regressar em situações pontuais, onde as suas crenças e vontades sejam respeitadas.

Além de quebrar tabus e estereótipos num setor tantas vezes criticado pela falta de inclusão, Áden tornou-se não apenas uma das faces mais visíveis, mas também uma verdadeira referência para as novas gerações.

 

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