De repente acordamos e já vamos aos mercados. Anunciam-nos que a recessão acabou. Não é preciso genialidade para perceber que vêm eleições em 2015.
Será que a minoria dos faustosos empoleirados rotativos – na verdade nunca deixam o poleiro – deram conta dos 30 anos perdidos (passado e futuro) em mentalidades sérias e caráter de um povo?
No regime da velha senhora, nem tudo era mau. Ao que aqui interessa, a palavra, o compromisso, a honra, o perto-de-mão, valiam mais que hoje os contratos.
Após o 25 de Abril, mudamos. Quais meninos sem a figura reverencial paterna. Não soubemos fazer a transição sem perder os bons valores. Depressa, habituados a dar tudo e a ter tudo, não soubemos educar nem ser educados.
Criamos uma sociedade de parca exigência, pais, alunos, pessoas. Pouco ambiciosos nos sacrifícios, mas, muito no ócio e no obter sem esforço.
Reclamamos de tudo e por tudo. Exige-se tudo. Só direitos, nunca deveres. Deu-se tudo sem pedir nada em troca.
Buraco onde só se tira e não se põe, já se sabe… levou-nos ao que hoje temos.
Não acautelamos o amanhã, mas o agora. Deixamos essa semente pelo Mundo que descobrimos…
Faz parte do desenvolvimento impor limites. O nosso País sem limites, não terá consciência…
Que importa, dirão. Até acham que se safaram fácil e se deram bem. Com a ajuda de leis que permitem a burla e garantem a sobrevivência dos prevaricadores, não a dos que lutam…
Preocupante é quantas gerações se perderam… é que, quem não era sério nunca o será. Batota as vidas de subsídios, esquemas fraudulentos, férias, personal trainers…
Dos que eram sérios, alguns deixaram de ser, viram os outros a dar-se bem com isso, vivendo melhor que eles…
Outros, não puderam mesmo e rebentaram…
Quem ainda é honrado questiona-se se valem a pena os sacrifícios. Se os habituados a não cumprir algum dia mudarão…
O que será de um país em que os seus filhos perderam os valores e os netos não tem exemplos de referência valorativa? Conseguirão, irão querer ser autodidatas?
