Tozé Santos e Sá

Advogado

Saber viver!

Deixemos em paz os despudorados do costume e falemos dos seus seguidores, aqueles que lhes querem tomar o lugar vazio, aqueles que foram parolar e mendigar atenção para os prémios de televisão.

Foi uma verdadeira invasão militarizada e musculada por aqueles que querem ser conhecidos, à caça de um centímetro quadrado de atenção e de uma foto publicada. Mas com isto não pensem que os velhos despudorados desistiram de aparecer. Não, eles marcaram presença, pois são persistentes e lutarão até caírem de velhos! Espero que não atentem contra a própria existência por isso…

Apregoam aos sete ventos que têm muito trabalho – coisa que fica sempre bem dizer – mas a verdade é que não têm, pois não? É que se tivessem não tinham tempo para postar o dia-a-dia ao minuto, quer em forma blogueira quer em versão rede social. Um bem haja às aventureiras que fazem cobranças a dinheiro em profissões sem descontos e recibos, profissões de economia em paralelas horizontais. Essas, que se assumem, merecem mais o meu respeito.

É em dias como este que me apetece despedir-me, receber a parca indemnização e fazer vida de rico durante uns 15 dias, com jantaradas, copos, umas merecidas férias, tudo até acabar. Depois logo se vê. Lembrete: tirar selfies para postar em ventos menos favoráveis, só para não dar a perceber.

Mas nem tudo está perdido. Valha-nos a coerência de algumas figuras conhecidas, essas sim famosas, quase peixes graúdos – repare que falta o “quase” – que criam movimentos que não passam de um modo de ganhar a vida, sustentando-se (ainda por cima com base numa causa nobre). Trombudas e antipáticas absorvem a visibilidade social já quase esquecida de bónus…

Antes qualquer badejo desinteressante podia fazer presenças e receber uns cobres, podia colar-se às ladies night para não pagar copos, passar à frente numa fila. Com a nova ordem não podem! Que tal não é igualdade de sexos. Antes qualquer canastrão podia deixar o homem pagar a conta do jantar ou um fim de semana romântico, agora a igualdade desigual dessas mentes brilhantes proíbe.

A vida fica assim mais difícil, para quem não tem blogues publicitários ditos de carolice. Falando nisso, já foram verificar se é lícito pagar publicidade nesses espaços?

Esta semana presenciei e descobri o que impossibilita o ar desigual, de entre quem nada acrescenta e de quem cumpre. Sempre que a luz das câmaras se apaga quem brilha na “telinha”, normalmente, mantém a simpatia, já as ditas, as que ficam ainda mais feias e trombudas tentam manter a distância… De quem, pergunto eu? Tenho para mim que imaginam ainda viver no tempo da outra senhora! Têm duas caras. Escandalizam-se na internet com banalidades e, quando o caso é grave, íntimo e público, relevam a polémica, disfarçam, fazendo aquele ar distante de como quem diz: “Estou feliz, está tudo bem”. Já diz o ditado, viver não custa. A mim, o que não me custa nada, é mudar de canal quando criaturas destas aparecem na minha TV. Zapping.

Agora, vou ali matar saudades dos tempos de estudante e tirar um apontamento… Até terça!