É inegável que vivemos dias difíceis. A violência em toda a sua plenitude tem envolvido os jovens oriundos de boas famílias, apenas por gostarem de cometer actos agressivos e criminais.
Os pais deixaram de ter tempo para dedicar aos filhos, não aconselham, não conversam, não repreendem. Esquecem-se de que o referencial do jovem são os pais. A preocupação dos pais está concentrada em “ganhar dinheiro” para manterem o nível económico da família. Enquanto isto os filhos ficam entregues a si próprios e às emoções da internet que os torna apáticos e indiferentes a tudo e a todos.
Desentendimentos, brigas em festas, rixas, sempre existiram, não é novidade e deriva do crescimento da própria juventude. Coisa distinta é a banalização de actos violentos praticados por jovens da classe média, quase sempre por motivos fúteis. Incorporados em claques desportivas, em associações de praxes académicas ou em grupo para saídas nocturnas, promovem actos de vandalismo, atentados ao pudor, violações, coação, espancando pessoas indefesas com perversidade e perigo de morte.
As queixas dos ofendidos adormecem no inquérito policial que dura meses e meses de inércia investigatória. A recolha e preservação dos indícios é tardia ou esquecida, inquinando desde logo a prova judicial. Veja-se o exemplo de recolha de prova na morte dos estudantes da Universidade Lusófona em Sesimbra, o local não foi vedado, não se restringiu o acesso à casa e à praia, permitindo-se que qualquer pessoa pudesse destruir provas.
A má investigação policial é causa/efeito que influencia o comportamento desses jovens e o modelo que reforça a característica de masculinidade agressiva, violenta. Das denúncias por violência de jovens imputáveis criminalmente, maiores de 18 anos, poucas resultam em prisões dos autores apesar da violência e danosidade social dos actos praticados.
A ausência de punição é sinónimo de ausência de queixa, as vítimas perdem a coragem por desconfiança na justiça, ficam traumatizadas e sentem-se vítimas de preconceito, sofrendo intensos danos físicos e psicológicos.
A criminalidade dos jovens é uma criminalidade baseada no ódio que deriva do gozo, da humilhação e do prazer de provocar dor e sofrimento na vítima.
As praxes académicas que se deviam restringir a uma ou duas semanas, passaram a durar todo o ano lectivo, deixaram de ser cerimónias de recepção e integração dos novos estudantes nas instituições de ensino superior em que ingressam, para serem práticas de rituais de” bullying”, com muita humilhação e tentativas de violação à mistura. Os veteranos passaram de protetores dos caloiros para instigadores de violência.
Esta intolerância vai gerando monstros, e tem de ser combatida em duas frentes: prevenção, actuando-se ao nível escolar secundário e universitário com campanhas contra a violência; motivar debates sobre bullying; direitos e deveres dos jovens e promover prémios a trabalhos pela valorização da vida. E pela repressão contra jovens que usem violência como referencial de vida, investigando-se e punindo-se adequadamente.
Chega de esquecimento e omissão, que apenas agrava a postura moral e aperfeiçoa a conduta delinquente.
*Por Dantas Rodrigues, sócio-partner da Dantas Rodrigues & Associados
