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Morreu o guitarrista António Chainho

O músico e compositor António Chainho, natural de São Francisco da Serra, no distrito de Setúbal,  morreu esta terça-feira, na sua residência em Alfragide, no mesmo dia em que completaria 88 anos de vida.

A notícia foi avançada pelo seu agente à Lusa. António Chainho, conhecido como o “mestre da guitarra portuguesa”, encerrou uma carreira com mais de seis décadas em setembro de 2024, decisão motivada sobretudo por limitações físicas associadas à idade, nomeadamente problemas no dedo indicador da mão direita, fundamental para tocar guitarra portuguesa.

O concerto de despedida, intitulado Lisboa Saudade, realizou-se em setembro, na Praça do Município, em Lisboa, e contou com a participação de Carminho, António Zambujo, Marta Pereira da Costa, o quarteto Naked Lunch e os seus músicos habituais. No mesmo dia, apresentou a sua biografia, “O Abraço da Guitarra”, da autoria de Moema Silva.

Com uma discografia iniciada em 1975 com Guitarradas, António Chainho destacou, em várias ocasiões, álbuns como Guitarra e Outras Mulheres (1998), gravado com intérpretes como Teresa Salgueiro e Adriana Calcanhotto, e o trabalho realizado em 1996 com a Orquestra Filarmónica de Londres, sob a direção de José Calvário.

A sua carreira era dividida em três fases: o acompanhamento de fadistas, a longa colaboração com Carlos do Carmo e Frei Hermano da Câmara e, por fim, a afirmação como solista. Ao longo do percurso, trabalhou com artistas de universos muito diversos, de José Afonso a Paco de Lucía, de Maria Bethânia a Rui Veloso, passando por Sara Tavares, Pedro Abrunhosa ou John Williams.

Concretizou um dos seus sonhos em Santiago do Cacém, com a criação de uma escola de guitarra portuguesa, contribuindo na formação de novas gerações.

Foi condecorado em 2022 pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo seu contributo para a divulgação da cultura portuguesa em Portugal e no estrangeiro.

Foto: Facebook de António Chainho