Tiago Alves

Estudante universitário

Crise grega: Origem, contexto e panorama

No período de adesão da Grécia em 1981, havia um grande entusiasmo grego para ingressar no projeto europeu. Vivia-se os anos após ditadura militar, a chamada ditadura dos “coroneis”, no qual extinguiram com a monarquia. Em 1974, tal como em Portugal, a Grécia entrou num processo de democratização, que culminou com a entrada na CEE.

Posteriormente a estes incidentes históricos, julgava-se (mal) que a Grécia ia entrar nos eixos, pois os índices de crescimento e desenvolvimento económico eram elevados, Reparemos que os salários dos funcionários públicos praticamente dobraram(!). Para além disso, o Estado social helénico “oferecia” ferias pagas aos mais pobres, facto que evidencia uma clara prosperidade.

Na verdade, os governos gregos gastavam mais do que podiam, sendo a sua situação insustentável a médio prazo. Tomemos como exemplo Atenas, que foi palco dos Jogos Olímpicos em 2004. Note-se que para organizar um evento destes é preciso ter algum folgo financeiro para a criação de infraestruturas e para poder acolher gente de todo o mundo.

Em meados de 2001, a Grécia entra na zona euro, passando a emitir claro está, a moeda única. Ao adotar a moeda única, a Grécia tinha que manter um determinado nível de endividamento, o que não foi respeitado com os altos gastos governamentais e corrupção. De tal modo que a Grécia é um dos países do “velho continente” com maior taxa de corrupção, tendo a crise incrementado esta prática. Prova disso é a evasão fiscal que é o “pão nosso de cada dia grego”. Se nos mais altos postos existe esta pratica, nos gregos comuns a mentalidade é recíproca. Um exemplo bem claro disso é o facto de gregos subornarem médicos para terem certificados de invalidez para ter mais um subsidio.

Anos e anos de maus vícios a somar á conjuntura internacional, anteciparam a crise grega. Descobriram-se os “buracos”nos templos e de seguida pediu-se ajuda internacional. A troika e os países que investiram na Grécia, exigiram austeridade, que consequentemente não promoveu o crescimento económico, nem sequer baixou a divida, pelo contrario aumentaram-na. A divida grega ultrapassa largamente o seu PIB, o que é preocupante se pensarmos no efeito domino que poderá provocar na comunidade euro.

Os “tempos das vacas gordas” terminaram, apertar o cinto é a palavra chave, sendo cada vez mais contestadas as politicas de austeridade. Manifestações, atos violentos, fome, desemprego histórico, taxas de migração altíssimas, salários congelados e até maior taxa de mortalidade infantil(!) traduzem bem as preces do povo grego que já não tem nada a perder. A historia diz nos que quando um povo não tem a perder, revoluções são feitas e é ai que entra em cena Syriza. O radical de esqueda, goste-se ou não, é a esperança grega de uma vida melhor, porem é o rosto do clima de desconfiança europeia face aos problemas gregos.

Definitivamente esta historia vai fazer correr muita tinta, por um lado os avisos de Syriza por outro a intransigência da comunidade europeia, esperemos que haja bom senso e que no final se reforce a coesão grega e europeia.

Dados:

2008: 7,3 porcento taxa de desemprego na grécia 2015: 25,9 porcento, tendo atingido o seu pico em Agosto de 2014, uns assustadores 27,4.