Deverá ser por não ter namorada que gosto do dia dos namorados ou, então, é porque adoro picos de felicidade espontânea.
Algo nesse dia me faz lembrar o 1 de abril. Tanta gente a fazer de conta, a falar de amor, e tão poucos a saber amar.
É sempre bom ser convencido com grandes palavras e, excecionalmente, com grandes atitudes. Perante Deus, também muitos prometem eternidade.
Pôr tantos a celebrar o amor, a festejar o que não existe ou não se sente, é de valor.
Há quem diga que só conhecemos a outra pessoa na altura da separação. A divisão dos tarecos sempre foi complicada aos humanos, que se apegam mais a coisas que a pessoas.
Tenho pois a certeza de que não há nenhum casal desavindo desde o dia 14, tantas foram as afirmações bilaterais da existência do amor.
Ainda bem que há um dia que nos relembra o que é o comodismo, o medo da solidão e que o festejamos.
Penso até que, para alguns, foi um dia muito ocupado para cumprir o protocolo das várias solicitações amorosas em que estão inseridos.
Fascina-me particularmente, aqueles que, por magia, esquecem as desavenças, um pouco como no Natal ou aniversários. Perdões instantâneos dão sempre melhores resultados que a incógnita de conversar e analisar situações. Viva o comércio! É pelo tamanho do presente, e do custo – não vá haver amuos – que se mede o amor. Uma bênção ser só um dia por ano. Torna algumas vidas menos penosas e poupa-se.
O que me derrete e enche a alma é ver casais enamorados a jantar. Gostam tanto um do outro que até passam os jantares ao telemóvel, a enviar SMS, a atualizar as redes sociais e a contabilizar os likes. Fazem bem! Ninguém da mesa ao lado precisa de saber das suas vidas.
O único senão é que com este dia perde-se a mítica mais modernamente recuperada “carpe diem”. Estraga-se o viver um dia de cada vez, relaxar, deixar andar e ver no que vai dar, sem compromissos, ter liberdade para se fazer o que se quiser, cujo único vinculo é ser “fuck friends”…
Não sei fazer de conta, parabéns a quem consegue…
Vou ali arranjar namorada e tirar um apontamento… até terça!
