Recordo-me dos meus melhores professores. Lembro-me da azáfama das aulas, dos testes, da sapiência de alguns docentes, da loucura de outros, da ignorância de alguns. Tudo isto ajudou à minha imagem do professor como um indivíduo da sociedade de importância extrema, e que se for bom é fundamental, e se for mau pode ser perigoso na formação ou deformação da nossa personalidade. O ensino é uma vocação e não uma saída profissional. Ensinar é a arte da partilha, da sabedoria em jeito de construção. E com isto não se brinca. Não se faz de conta. Quando se é criança, ser professor aparece sempre no horizonte daquilo que queremos ser quando formos maduros…possivelmente graças ao fascínio deste ofício.
Por tudo isto tenho em ideia que um professor tem de ser bom, culto, formado, atualizado, aplicado, dedicado à formação cultural e social de cada seu aluno. Esta dedicação e entrega não serve no engenho de todos. Como tal, o ensino de um professor deve ser de tal forma exigente que possibilite a separação do trigo do joio. Não podemos ter professores que não gostam de pequenada, que não sabem escrever e ler, que não dominam o universo do conhecimento, muito menos da sua matéria específica. Os professores não são pais dos alunos, mas são responsáveis pela educação do nosso futuro, e esta dedicação não se fica pelas aulas que dão, exige mais, muito mais.
Ao exigir-se competência na formação de um docente, deve depois compensar-se no seu salário, e fazer dele uma pessoa que educa e não um indivíduo que passa metade do tempo entre reuniões, burocracia e papeis…isso não é para um professor. Ele deve ir para casa e pensar em estratégias de pedagogia, nos alunos que se lhe escapam à atenção, e até na situação do aluno fora de escola.
Por tudo isto, e a acreditar que a formação de um professor é exigente e completa, eu não sou a favor de uma prova que os avalie, depois de curso feito, e sem nunca os ter preparado nesse sentido; pois se eu faço a universidade e sou avaliado nesse tempo, não me parece sensato ter uma prova surpresa uns anos depois do curso acabado…tipo: surpresa!! Nem em as universidades ficam bem na fotografia…pois se passam um diploma e avaliam positivamente os seus alunos…é sinal que está feita a parte das faculdades e o caminho diz agora respeito a cada um.
Sou da opinião que temos professores brilhantes, mal pagos, cheios de burocracias para tratar, mas também conheço os acomodados, mal formados, sem vocação de ensino, sem a formação que só a vida dá. Nada justifica o injustificável….uma prova depois de curso feito e sem nunca estar prevista? Uma prova que fragiliza a credibilidade das universidades? Não. Solução? Uma prova que comece a partir do próximo ano, dada a cada aluno antes de se lançar para o mercado de ensino, que por sinal está sem vagas, mal pago e com uma classe cansada e desmotivada. Uma prova inserida no plano curricular e não depois de anos de trabalho e a levantar a pergunta: Ora vamos lá ver se, depois destes anos pós universidade e a dar aulas, se és mesmo capaz de dar as aulas que já deste?! Por amor dos deuses todos, deste mundo e do outro!
