Hélder Reis

Apresentador de Televisão

Sobre a velhice

Gosto dos nossos mais velhos. Mas gosto muito. Com um respeito que toca na veneração. Gosto do olhar paciente, das mãos maduras, dos cabelos de idade. Sinto dever-lhes o que sou, como homem e o que somos como país. Gosto dos nossos mais velhos, cheios de vida da vida que tiveram, da vida que ainda querem ter. Gosto das histórias, do “ainda me lembro”. Gosto de os abraçar, sentir o seu corpo frágil e que teve tempos em que era o mesmo corpo a lutar contra a faca da fome, do frio, do trabalho sol a sol.

Na felicidade das entrevistas que por vezes lhes faço, falam-me da dureza dos seus tempos de mais jovens, da falta do pão, da falta de meninice, do trabalho desde os 8 anos, do sustento que cedo lhes pediram, mas acabam sempre por me dizer: mas sabe menino Hélder (e comovo-me com a expressão), era muito feliz nesses tempos. É difícil perceber porquê…ou não será assim tanto quando sabemos que no tempo em que eram jovens, sabiam que tinham uma vida inteira pela frente e que as coisas que faziam tinham uma pureza cristalina e objetivos do tamanho dos campos e rios que conheciam.

Gosto muito dos nossos mais velhos. Gosto tanto que por vezes chego a pensar que todos nós sabemos muito pouco da vida, quando sobre a vida falamos com esta gente madura como um pomar.