Ninguém ficou indiferente à morte de Luís Represas, que faleceu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, vítima de cancro nos pulmões. Foi um dia triste e repleto de homenagens ao artista, que deixou um legado incontornável na música portuguesa.
O Presidente da República destacou-se na simplicidade e na sua comovente dor. “Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida“.
“Há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo“, confessou.
“A partida do Luís Represas não encontrará silêncio. Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu. Partiu o homem. Ficou a voz“, evocou o Presidente da República António José Seguro .
“Uma voz que soube transformar a nostalgia em esperança, a simplicidade em beleza e a música num lugar onde Portugal tantas vezes se reconheceu. Das praças aos palcos, dos dias de festa aos momentos de recolhimento, o seu talento ensinou-nos que há canções capazes de vencer o tempo.
Há vidas que terminam. Há músicas que pertencem à eternidade. As músicas do Luís Represas são dessas. Porque há artistas que deixam discos. Outros deixam memória. Os maiores deixam um país a cantar. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções.
Em nome de Portugal, curvo-me perante a sua memória com gratidão. E abraço, com profunda solidariedade, a sua família, os seus amigos, os seus companheiros dos Trovante e todos aqueles que hoje sentem que perderam alguém da sua própria casa, da nossa própria casa.
Enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar. Não como lembrança distante, mas como presença viva, nessa forma discreta e luminosa que só a verdadeira arte conhece.
Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida. Recordo a noite fantástica no passado dia 21 de março. Recordo tantos momentos bons ao longo dos anos. Saudades do futuro, Luís… Talvez um dia te encontre…“, acrescentou o Presidente com a voz embargada de comoção.

Na sequência da morte de Luís Represas, ouviram-se junto ao Palácio de Belém, ao longo do dia de ontem, algumas das canções que marcaram o seu percurso e o dos Trovante, entre as quais “Perdidamente”, “125 Azul”, “Timor” e “Feiticeira”. As melodias, que ecoaram na rua, constituiram uma homenagem musical ao legado do cantor e compositor, cuja obra ocupa um lugar próprio na cultura portuguesa.
Uma homenagem tão singela e original, que demonstra a grande sensibilidade e emoção profunda do Chefe de Estado de Portugal. Veja e ouça:
Fotos: Presidência da República
