Cultura

Black & White arranca com a crise em foco

A 11.ª edição do festival audiovisual Black & White inicia-se hoje na Universidade Católica do Porto, contando com mais de 40 obras em competição, incluindo seis filmes portugueses, interligados pela temática da crise.

Em declarações à “Lusa”, o diretor do festival, Jaime Neves, disse “não ser nada habitual” uma tão elevada participação portuguesa, que coloca o país apenas atrás da Alemanha no maior número de entradas a concurso.

“Há uma característica: sobretudo as ficções abordam a questão do desemprego, da degradação da família em virtude de um dos membros do casal cair no desemprego”, refere Jaime Neves, ressalvando que Portugal é o único país do qual se pode dizer haver um tema transversal, enquanto, por exemplo, Espanha, outro dos países do sul da Europa em crise, apresenta participações de comédias e trabalhos diversos.

A novidade da edição deste ano, que decorre entre hoje e sábado, é a música portuguesa, que vai ter diversos momentos de homenagem ao longo do programa. Em competição vão estar 28 filmes, o maior número de sempre do evento, cinco trabalhos de áudio e sete de fotografia.

A cerimónia oficial de abertura vai ter lugar hoje às 21h45 no auditório Ilídio Pinho, ainda que horas antes ocorra uma conversa com Tiago Pereira, autor do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”.

“Penso que o festival tem ainda um muito longo caminho pela frente, vai continuar a crescer, assim como a estética do preto e branco está constantemente a crescer”, afirmou Jaime Neves, lembrando que, ainda este ano a cerimónia dos Óscares norte-americanos contou com um nomeado para Melhor Filme a preto e branco: “Nebraska” de Alexander Payne.

O diretor do festival salienta a importância da missão de mostrar ao público em geral que o preto e branco “não é uma coisa maçadora”, não é apenas para pessoas “altamente intelectuais” e que é de notar que, para os mais novos, as duas cores são algo completamente novo.

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