Morreu esta quinta-feira, aos 83 anos, António Lobo Antunes. Detentor de uma vasta obra “cuja importância ultrapassou fronteiras”, foi um “autor de romances que ficarão para sempre na memória”, destacou a editora do escritor, a Dom Quixote.
“Nome maior da literatura portuguesa” foi durante décadas apontado como candidato ao Nobel da Literatura.
A Dom Quixote destaca a vasta obra de António Lobo Antunes, “cuja importância ultrapassou fronteiras”, despedindo-se “do grande escritor português”, que “dedicou toda a sua vida à literatura, prestando-lhe a devida e merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e aos seus leitores”.
Formado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para Angola durante a Guerra Colonial, experiência que marcou a sua escrita. Em 1985 decidiu optar pela escrita a tempo inteiro, sendo que o seu primeiro livro a ser publicado foi “Memória de Elefante”, em 1979. No mesmo ano, surgiu “Os Cus de Judas”. Foram lançados depois “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência que teve na guerra colonial e pelo exercício da Psiquiatria.
António Lobo Antunes escrevia à mão, numa caligrafia miúda, antes de passar os textos a limpo em folhas A4.
Em 2004, a República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada. Em 2014 o prémio literário internacional Nonino. Em 2017 foi vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro. Já em 2019, foi distinguido com a Ordem da Liberdade. Em 2008 recebeu de França o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras.
Foto: Reprodução Dom Quixote
