De chorar por mais

O Retiro da Ponte

O Meu Retiro

Vilar de Mouro é uma bela Aldeia histórica do Alto Minho, ali muito perto da saída para caminha na A28.
Para além de uma lindíssima ponte gótica que remonta ao Século XVI e dos poucos vestígios que restam da sua Torre medieval, Vilar de Mouros foi resgatado do seu tranquilo anonimato quando em 1971 se decidiu fazer o primeiro festival de Musica de Vilar de Mouros. E aí foi um “corre corre” de “jovens” de todas as idades para os, mais do que famosos, Festivais de Vilar de Mouros onde apareceram os primeiros grandes grupos portugueses e estrangeiros que se ouviam com a estridência e a exuberância de uma geração que ainda revivia, de charro ao canto de boca, a leda saudade do Maio de 68.

Hoje Vilar de Mouros voltou à sua tranquilidade e ali, logo a seguir à ponte medieval por onde passa um fresco afluente do Coura, ergue-se um restaurante que se impôs pelo empreendedorismo de Cristina Almeida e por uma cozinha que a mesma coordena e que é distribuída com simpatia na sala pelo Senhor Adriano Abreu – um mestre de cerimónia à antiga, sempre com um sorriso ou um “bem dizer” que ajudam a aprimorar o acolhimento familiar que gosta de fazer.

162835_109836032423735_4458946_n

A Casa, em bonita cantaria de granito abre-se num pequeno bar e sala de espera onde pode não só bebericar um espumante como apreciar alguns produtos regionais que a própria casa comercializa. Depois uma sala elegante, bonita, intimista, num rústico sofisticado onde apetece estar. Eu confesso que o meu espaço de eleição é a varanda. Quando aberta, debruça-se romanticamente sobre o ribeiro e invade de frescura e dos cheiros da terra aquele ambiente que ainda por cima leva à guitarra a água fresca que canta pelas pedras do rio abaixo e, à viola, os passarinhos que afluem também àquele espaço encantador.

Falta o que é sério, não é caro leitor. Aquiete-se que não vai ficar desapontado.
Nas entradas, não deixe de experimentar os pequeninos pastéis de chaves – quentinhos, deliciosos, numa receita fácil que anima qualquer mesa, a alheira de Trás-os-Montes, é outra referência das entradas e namora bem com as tostas , a boroa e o pão caseiro que nos levam à mesa. A boroa frita é outra entrada de grande mérito, como também o é o queijo de cabra com compota de figo.

228265_145254548881883_734670_n

Refreie-se, por favor que isto ainda agora começou. Isto não é uma cozinha de peixe – mas os bacalhaus são de belíssima estirpe e o polvo à lagareiro é feito com rigor palatino e respeito monástico pela cozedura que lhe provoca aquela textura macia que se põe a reluzir à luz do azeite de Trás-os-Montes usado na casa. O caril de gambas é respeitoso e equilibrado.
Mas esta casa de cozinha regional é principalmente conhecida pelas suas carnes. Abro uma excepção pela belíssima lampreia e para o sável que no seu tempo, fazem com que muita gente tenha uma estranha vontade de se “Retirar” para os lados da Ponte.

Nas carnes, dizia, prove o pernil assado no forno, com a sua batata nova, os grelos reluzentes e um arroz de grão que liga bem porque ajuda a enxugar os excessos de gordura. Que grande pernil que aqui se faz a lembrar o célebre pernil da Carvalheira feito não muito longe dali na bonita ribeira lima.

Outro prato de grande fôlego é o rabo de boi estufado. De tradição espanhola – o famoso “colo del touro” é um prato para grandes cozinhas. Mas é no bailar sossegado que os dos sucos das carnes fazem com a cenoura, o pimento, o louro, a erva-príncipe que reside o segredo deste prato que na tradição antiga vem com batata cozida e aqui é servido com puré.
Venha uma mãozinha de vaca com grão que aqui também se arranja e é feita à boa maneira minhota.
O lombo de porco recheado com farinheira e acolitado com castanha, devolve-nos a um tempo das cozinhas lentas, familiares e amoráveis que escreveram a história do grande receituário galaico-duriense.
A açorda de alheira, feita ainda com outros enchidos esfiados vai obrigá-lo a 7 dias de ginásio, mas os 30 minutos de prazer que lhe proporciona, esses já ninguém lhe tira.

A carta de vinhos sem deslumbrar é equilibrada e oferece propostas justas de quase todas as regiões.

Acabe com uma tarte de laranja e com uma visita à bonita capela de S. Brás. Ambos o ajudarão a equilibrar os pecados veniais que não deixará de fazer neste belíssimo Retiro da Ponte.

O Retiro da Ponte4

Restaurante O Retiro da Ponte
(junto à Ponte Românica)
Caminha
E-mail: [email protected]
Tlf.: 258 723 115