Dolly Parton, que ficou conhecida como “rainha do country” e filantropa, morreu esta terça-feira, 25 de agosto, aos 80 anos.
A artista havia sido internada em Nashville, na sexta-feira, dia 21 deste mês. Parton enfrentava problemas renais e autoimunes.
Tinha admitido recentemente estar passar por problemas de saúde, mas que ainda tinha “muitas coisas por alcançar”. A sua equipa revelou que sofria de cancro.
“Após enfrentar heroicamente uma breve batalha contra o cancro, Dolly deixou a vida terrena hoje, no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, cercada pelos seus entes queridos“, refere na nota enviada à revista People.
“Nossa amada Dolly Parton dedicou a sua vida e carreira a levar alegria, risos, esperança e integridade a tudo o que tocava. Sua generosidade inigualável alcançou a vida de inúmeras pessoas que ela jamais conheceria; ainda assim, ela estava sempre pronta para estender a mão“, dizia ainda o comunicado.
Dolly Parton passou os seus últimos 17 meses de vida a enfrentar o luto profundo pela perda do marido, Carl Dean. O empresário, com quem esteve casada quase 60 anos, faleceu em março de 2025. A própria confessou publicamente que o luto afetou severamente o seu bem-estar emocional e físico.
O óbito de Dolly Parton foi confirmado pelo seu sobrinho, Bryan Seaver, num vídeo publicado na conta oficial do Instagram da cantora norte-americana.
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Carreira
Dolly Parton nasceu em janeiro de 1946, no Tennessee (EUA). Tinha apenas 13 anos quando se apresentou na rádio pela primeira vez.
Nos EUA, foi um dos nomes mais importantes na história da música do século XX. Levou o country às alturas comerciais da pop, sem enfraquecer o que caracterizou a sua música: uma escrita mordaz e sensível, a composição melódica e narrativamente rica. Fê-lo tocando, sem medos, em estigmas, desde a indigência (“Coat of Many Colors”) ao suicídio (“The Bridge”).
“Jolene” é a sua canção de assinatura, de uma discografia composta por mais de 50 álbuns.
Foi no disco do mesmo título (de 1973) que editou também “I Will Always Love You” (mais tarde gravada por Whitney Houston), dedicada a Porter Wagoner, o músico e personalidade televisiva de quem se separara profissionalmente após sete anos.
É na sequência dessa rutura que alcança a máxima visibilidade comercial, saindo do nicho do country, para lançar temas como “Here You Come Again”, “Islands in the Stream” (com Kenny Rogers), ou “9 to 5”, da banda sonora do filme de 1980 que co-protagonizou com Jane Fonda e Lily Tomlin.
Com inúmeras canções compostas e uma carreira com sete décadas, Dolly Parton obteve o recorde de 25 “singles” número 1 na tabela “country” dos Estados Unidos, e 47 álbuns no top 10 do mesmo género musical. Também alcançou sucesso nas tabelas de música pop com “9 to 5”, que alcançou o primeiro lugar nos Estados Unidos em 1980.
Ao longo da carreira recebeu 11 prémios Grammy e três prémios Emmy, um Óscar honorário humanitário e um Tony. Tentou também, com êxito, a representação, tendo sido por duas vezes nomeada para os Globos de Ouro.
É também lembrada pela sua filantropia
A cantora, compositora e empresária superou a extrema pobreza na infância e desenvolveu uma visão sólida de negócios.
Cresceu nas montanhas do Tennessee, numa família cujo pai era analfabeto. Dolly e os seus 11 irmãos viviam com pouquíssimos recursos.
Grande parte do seu dinheiro veio da sua carreira musical, especialmente dos direitos de autor das suas mais de 3 mil composições. Um dos episódios maia sua canção “I Will Always Love You” para uma gravação de Elvis Presley. Anos depois, a versão de Whitney Houston, lançada na banda sonora do filme O Guarda-Costas (1992), gerou milhões de dólares em royalties para Dolly Parton.
A sua fortuna também foi construída fora da música. A ícone country era sócia do Dollywood, parque temático no Tennessee que recebe milhões de visitantes por ano, e mantinha negócios ligados à hotelaria, entretenimento, licenciamento e produção audiovisual.
Destinou parte dos seus recursos a projetos filantrópicos. Direcionou muita da sua fortuna para instituições de caridade. Fundou o programa de doação de livros a Dolly Parton’s Imagination Library, programa que oferece livros gratuitos a crianças até aos cinco anos de idade, e uma doação de 1 milhão de dólares para pesquisas relacionadas à vacina contra a Covid-19.
Cumprindo um último desejo, a família revelou que Dolly pediu para que, em vez de flores no funeral, pudessem fazer donativos à associação de filantropia Imagination Library, em www.imaginationlibrary.com
