A rentreé do MAAT, em Lisboa, no ano de 2018 começa com as inaugurações de fevereiro de Supergood – Diálogos com Ernesto de Sousa, pensada a partir da obra transversal de uma das figuras mais relevantes da vanguarda portuguesa do século XX, e Bem-vindos à cidade do medo, que reúne um conjunto de obras de pintura, desenho e vídeo da produção recente de João Fonte Santa.

Em março, Tomas Sarraceno ocupa a Galeria Oval do MAAT com uma instalação site-specific, desafiando-nos a pensar sobre o Aeroceno, um futuro em que os humanos viverão em cidades aéreas alimentadas a energia solar e eólica; e Miguel Palma expõe, no Project Room do MAAT, uma instalação inédita que apresenta um vasto conjunto de obras sobre papel realizado ao longo das últimas duas décadas.

A forma como vemos e vivemos o planeta será o grande tema deste primeiro semestre do ano, não só com a exposição de Tomas Sarraceno, mas sobretudo com a segunda grande “exposição-manifesto” do MAAT – Eco-Visionários: Arte, Arquitectura e Novos Media Após o Antropoceno – prevista para abril, que propõe reflexões e visões críticas e criativas face às preocupantes transformações ambientais que afetam o planeta. Ainda em maio, Stefan Sagmeister, o internacionalmente conhecido designer austríaco, traz ao MAAT a exposição The Happy Show, um dos seus projetos mais icónicos que resulta de uma intensa pesquisa sobre o conceito de felicidade.

Em colaboração com a Galeria Municipal do Porto, da qual a Fundação EDP é mecenas exclusiva, olhamos, pela primeira vez, para a Coleção Pedro Cabrita Reis (adquirida pela Fundação em 2015). Prevista para março, Germinal será acompanhada pelo próprio Pedro Cabrita Reis, numa curadoria de Pedro Gadanho e Ana Anacleto. Este panorama de um dos mais importantes núcleos da coleção da Fundação EDP virá para o MAAT no final de junho de 2018.

Em maio, altura em que a Fundação EDP e o MAAT se associam novamente à ARCOlisboa, inaugura Susana Mendes Silva e Gary Hill. A artista Ângela Ferreira abre ao público na mesma data que Germinal, no final de junho.

Outubro é uma das alturas mais fortes do ano, mês em que se celebra o aniversário do museu, e em que abrimos ao público exposições de André Príncipe, uma special commission de Tadashi Kawamata, a parceria Artists’ Film International, e ainda, no final do mês, João Louro e Haus Wittgenstein.
Conferência sobre arquitetura, som e arte traz a Portugal nomes como Diller Scofidio + Renfro, Snohetta, Bill Fontana, Xavier Veilhan, o crítico do NYT Michael Kimmelman, e muitos mais.

Juntamente com a reSITE e em colaboração com a Meyer Sound, o MAAT organizará, a 12 de fevereiro, uma conferência exclusiva sobre arquitetura, som e arte. Ao longo de um dia, este evento internacional trará a Lisboa os melhores criadores de espaços sonoros e experiências acústicas do mundo. Serão abordados os temas das soundscapes arquitetónicas, da inovação tecnológica nos ambientes sonoros, e da criação de experiências acústicas pioneiras. O line-up completo da conferência e os restantes speakers serão anunciados durante o mês de janeiro.

NÓS NÃO ESTAMOS ALGURES – ECOS NA OBRA DE ERNESTO DE SOUSA
Central 2 | 28 fev – 4 jun
Artistas: Melanie Bonajo, Rita Sobral Campos, Vasco Costa, Simon Dybbroe Møller, Jannis Varelas, Supergood
Curadoria: Hugo Canoilas & Inês Grosso
A exposição Supergood – Diálogos com Ernesto de Sousa foi pensada a partir da obra transdisciplinar e transversal de uma das figuras mais relevantes da vanguarda portuguesa do século XX. A exposição promove uma revisão e atualização da obra de Ernesto de Sousa, colocando lado a lado artistas de diferentes gerações e nacionalidades, assim como novas leituras sobre as dimensões política, cultural e ideológica que marcaram a sua atuação ao longo de mais de duas décadas. Desta forma, o legado artístico e conceptual de Ernesto de Sousa é convertido num campo vasto de experimentação e no ponto de partida para uma reflexão em torno das práticas artísticas atuais, revelando as descontinuidades e ressurgências que atravessam as geografias da arte contemporânea, as suas gerações, dispositivos e tempo. Ao lado de trabalhos já existentes, mostramos obras especialmente produzidas para esta exposição, num diálogo inédito com uma seleção de obras e documentos pertencentes ao arquivo de Ernesto de Sousa.

BEM-VINDOS À CIDADE DO MEDO. JOÃO FONTE SANTA
Cinzeiro 8 | 28 fev – 7 maio

Curadoria: Sandra Vieira Jurgens
A exposição Bem-Vindos à Cidade do Medo reúne um conjunto de obras de pintura, desenho e vídeo da produção recente de João Fonte Santa, nas quais o artista veicula representações visuais do estado do mundo, expressando uma observação lúdica e crítica sobre a atualidade social, política e cultural.
Neste novo projeto expositivo, o artista trabalha sobre o significado político e filosófico do medo, os processos de desterritorialização da guerra, os conflitos e a instabilidade permanentes, bem como a contínua vigilância e controlo que marcam a nossa contemporaneidade. Recorre à utilização de imagens que circulam em jornais, na televisão e na Internet, e estabelece relações de associação com outros campos, nomeadamente o da cultura popular, com narrativas, visões e atmosferas estéticas inspiradas na literatura do século XIX, cinema série B e música pop marginal.

SPECIAL COMISSION: TOMÁS SARACENO
Galeria Oval | 21 mar – 3 set
Curadoria: Pedro Gadanho e Rita Marques
Em agosto de 1709, Bartolomeu de Gusmão concretizava a primeira elevação de um objeto mais pesado que o ar. Este feito materializava o que seria o primeiro balão de ar quente alguma vez realizado, precedendo os irmãos Montgolfier em oito décadas.
Trezentos anos depois, o artista argentino Tomás Saraceno iniciou o desenvolvimento de esculturas que, desafiando a gravidade, flutuam no ar por via da incidência solar, deixando para trás a utilização de hélio ou combustível. Estas peças são também a base de um projeto de investigação do artista intitulado Aeroceno – designação de um tempo em que a raça humana poderá vir a habitar estas estruturas aéreas.
Na nova intervenção site-specific na Galeria Oval, o artista apresenta agora uma constelação de esculturas existentes e inéditas, cuja articulação permite vislumbrar a possibilidade de um urbanismo do “aeroceno”’, bem como a visão futurística de novas interações dos seres humanos com a atmosfera do planeta.

MIGUEL PALMA, A-Z
Project Room | 21 mar – 11 jun
Curadoria: Adelaide Ginga e Luísa Santos
Miguel Palma apresenta, no Project Room do MAAT, uma instalação inédita constituída por um vasto conjunto de obras sobre papel realizado ao longo das últimas duas décadas. Uma ampla panóplia de temas forma um léxico complexo e subjetivo que resulta de observações, perceções e interpretações do mundo contemporâneo nas suas inúmeras dimensões e conflitos. Traduzido formalmente no que poderíamos designar “desenho expandido”, este léxico desafia ideias e histórias construindo novos domínios de encontro com o real. Com uma metodologia baseada numa imersão total nas situações do real, a prática de Palma assenta precisamente na análise crítica. Uma crítica alicerçada no humor, entre a sátira e a paródia, baseada em imagens, objetos e aquilo que melhor servir à tradução possível desta imersão.

ECO-VISIONÁRIOS: ARTE E ARQUITETURA PARA O ANTROPOCENO
Galeria Principal & Video Room | 11 abr – 1 out
Curadoria: Pedro Gadanho e Mariana Pestana. Projecto coproduzido com Bild Museet, Suécia / HEK, Suíça / Laboral, Espanha

Na primeira colaboração do MAAT com vários museus europeus, o projeto Eco-Visionários centra-se nas práticas de arte e arquitetura que propõem visões críticas e criativas face às transformações ambientais que afetam o planeta. Com contributos de mais de 35 artistas e arquitetos, a exposição em Lisboa é a mais abrangente das quatro mostras que surgirão simultaneamente em Portugal, Espanha, Suíça e Suécia.
Num momento em que as alterações climáticas se fazem sentir de modo mais premente, Eco-Visionários lança o debate sobre um vasto panorama de questões associadas ao Antropoceno – a designação recente de um novo período geológico definido pelo impacto das ações humanas. Assim, as obras em exposição focam tanto fenómenos de extinção de massa ou a convivência interespécies, como os efeitos da exploração de recursos naturais ou a nossa capacidade de adaptação a uma nova realidade global.

STEFAN SAGMEISTER: THE HAPPY SHOW
Central 1 | 11 abr – 4 jun
Curadoria: Robert Chaney
Stefan Sagmeister é um dos mais aplaudidos designers internacionais. O que é a felicidade? Como a encontrar? E o que fazemos realmente para ser felizes? The Happy Show, um dos seus projetos mais icónicos, resulta de uma intensa pesquisa de mais de dez anos sobre o conceito de felicidade. Através de vídeo, infografias, esculturas e instalações interativas, bem como de humor, provocação e interação, a exposição leva-nos numa viagem pela mente de Sagmeister e pelas suas visões inovadoras, aparentemente simples, sobre como sermos mais felizes. Apela a uma atitude mais participativa na busca dessa felicidade – afirmando inclusivamente que esta se treina, tal como treinamos o nosso corpo.
Sagmeister utiliza um design gráfico extremamente emocional para se ligar às pessoas, testando a fronteira entre o design e a arte, ou a ciência e a cultura do dia-a-dia, chegando a transgredir todas as barreiras entre estes conceitos.
The Happy Show já foi apresentado noutras instituições, como o MOCA em Los Angeles ou o ICA em Londres, e atraiu mais 250 mil visitantes por todo o mundo, tornando-se a exposição de design gráfico mais visitada de sempre.