Inaugura, no dia 12 de abril, quinta-feira, às 18h30, no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa, a exposição Lisboa, Cidade Triste e Alegre: Arquitetura de um Livro. Esta exposição, comissariada por Rita Palla Aragão, traz um olhar aprofundado sobre o mais importante livro de fotografia do século XX em Portugal, editado em 1959 por Victor Palla (1922-2006) e Costa Martins (1922-1996).

Durante três anos, na década de 1950, esta dupla de arquitetos percorreu as ruas de Lisboa, retratando-a e aos seus habitantes, a preto-e-branco, revelando uma cidade escondida, triste e alegre. Das seis mil fotografias realizadas, os autores escolheram cerca de 200 para integrar o livro, às quais acrescentaram poemas e um índice longo e singular (que explica grande parte do processo criativo) e uma série de poemas que convertem a obra num verdadeiro poema gráfico.

Livro de culto sobre Lisboa, considerou-se fundamental dedicar-lhe uma exposição na cidade que o inspirou e à qual os autores consagraram esta obra, que assim descreveram na apresentação:

(…) o retrato da Lisboa humana e viva através dos seus habitantes – de dia, de noite, nos seus bairros, na Baixa, no Tejo – revelação ora alegre ora triste, mas sempre terna e sentida, da vida de uma cidade. Talvez por isso fosse mais adequado chamar-lhe «poema gráfico» – até porque o arranjo das imagens e a própria composição do livro têm, no seu grafismo, o fluir, a alternância de ritmos, as ressonâncias de uma obra poética.

Numa exposição que tem por base o espólio dos autores, mas que se alargou a outros elementos, podemos encontrar todo o percurso da construção de Lisboa, “Cidade Triste e Alegre” até aos dias de hoje.

Além de maquetas, cartazes, ou matrizes de imposição, estão expostas, em versão integral, 50 fotografias, 20 das quais são inéditas, impressas a partir dos negativos originais, também alguns expostos.

É também oportunidade de dar a conhecer todas as edições do livro, pretendendo explicar o intrincado conjunto que resultou da existência inicial de múltiplas opções de encadernação.

Dada a diversidade de características da obra – que ultrapassam largamente o domínio da fotografia – o Museu de Lisboa convidou, para prestar testemunho, um conjunto de personalidades provenientes de áreas distintas. Assim, participam no catálogo e no ciclo de conversas: Alexandre Pomar, André Príncipe, Mário Moura, Michel Toussaint, Luís Camanho, Paulo Catrica, Pedro Mexia e Teresa Siza.

Uma exposição única sobre um livro contemporâneo, com um vincado carácter histórico de grande significado, não só para a fotografia portuguesa, como também para a cidade de Lisboa.

Exposição patente de 13 de abril a 16 de setembro de 2018
Horário: de terça a domingo das 10h às 18h (última entrada: 17h30)
Morada: Campo Grande, 245 | 1700-091 Lisboa