Companhia marca o reencontro de João dos Santos Martins com a equipa de Projeto Continuado (2015), dando continuidade aos processos de colaboração e investigação então iniciados e marcados por relações de afeto e labor. Companhia investe esteticamente na ideia de dança enquanto trabalho, utilizando, para isso, casos de estudo que examinam, por exemplo, a sistematização do movimento operário na relação estabelecida com as máquinas, de onde surge um conceito de coreografia enquanto tecnologia ou prótese. Em paralelo, reflete-se sobre como determinadas estéticas de dança, de ambições libertárias e democráticas, estão implicadas na redução dos pontos de tensão do corpo, implementando técnicas de eficácia na concretização do movimento, utilização energética e redução de esforço como alternativa ao modernismo rígido e ideologicamente “exterior” ao corpo.

Interessa, com isto, refletir sobre trabalho e bem-estar, a forma como a dança, enquanto cânon de produção recíproca de prazer (do espectador, mas também do bailarino) e difícil de identificar socialmente como labor, interage com os seus modos e agentes de produção. E se a ideia de “companhia” aqui invocada pondera uma forma hegemónica de organização estrutural e administrativa em dança, ela implica também um modo de labor comum: companhia como facto ou condição de ser e estar com o outro, como forma de providenciar amizade ou prazer a um grupo de pessoas numa sociedade.

Teatro Maria Matos, Lisboa
DATAS E HORÁRIOS
sábado a quinta → 21h30
domingo → 18h30