“Velvet N’ Goldmine” é uma composição coreográfica construída como um trio de guitarras, é um espetáculo multidisciplinar onde música, dança e audiovisual se misturam numa teatralidade obrigatória. A mensagem é crua, desnuda, em sentido figurativo e por vezes literal. Uma personagem e um palco, cénico e por vezes real. Dualidades e extremos.

Flavio Leihan, performer, bailarino e modelo, cria um alter-ego, que dá vida a um músico, artista “queer”, e assim descreve a sua trajetória pela fama internacional e subsequente tragédia.

Inspirado no percurso de David Bowie e com evidentes referências ao filme Velvet Goldmine (1998) de Todd Haynes, o material autobiográfico, tratado de forma exacerbada, culmina neste espetáculo eletrizante. “Velvet N´Goldmine” expõe a trilogia de corpos andróginos em prol da construção de um universo cada vez mais próximo de um clímax social, uma espécie de pós-apocalipse.

Flavio Leihan propõe uma nova abordagem sobre a identidade deste corpo andrógino universal. Analisa a relação entre o masculino e o feminino, através da pré- ou da pós-disposição do corpo no espaço, reforçando uma visão utópica das qualidades naturais da sexualidade. Apreende a ideia hegemónica não tradicional de uma livre flutuação transgénica, retratando uma mix-up com diferentes momentos de compreensão em limite de igualdade.

Para ver no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira.