A ideia central do artista nesta exposição é, uma vez mais, a representação do enigma que a cidade encerra.

A cidade pode ser considerada como a criação mais importante do homem – é por ele construída para o servir – no entanto adquire autonomia e poder em si mesma, até ao ponto em que é a própria cidade a moldar o comportamento do homem.

A arquitetura fica e o homem passa, a sua própria ausência dá-lhe presença. Nestas obras facilmente se reconhece o representado, e se existe alguma intenção, é a de unir o mundo real ao metafísico. O banal revela mistério, calma, silêncio e vazio debaixo da luz do sol.

Juan Escauriaza (Madrid,1961), doutorado em Geologia e com uma pós graduação em Hidro-Geologia e Paleontologia, trabalhou como geólogo em varias empresas espanholas importantes durante cerca de dez anos. No entanto, a sua verdadeira paixão sempre foi a arte e a partir de 1994 Escauriaza dedica-se exclusivamente à pintura. Desde então as suas obras foram exibidas em mais de dezasseis exposições individuais, num grande número de exposições coletivas e ainda numa retrospetiva organizada e patrocinada pela Câmara Municipal de Madrid. O seu extraordinário sucesso a nível comercial bem como a grande aclamação por parte dos críticos fazem com que seja ainda mais difícil acreditar que Juan é um artista totalmente autodidata.

Embora Escauriaza resida em Espanha, o seu trabalho foca-se na paisagem americana. De fato, Juan visita frequentemente os Estados Unidos, lugar onde aproveita para estudar o que o rodeia, usando este meio envolvente como sujeito preferido da sua arte. Inevitavelmente, Juan é atraído por pequenos elementos da paisagem estadunidense pelos quais muitos de nós passariam sem olhar uma segunda vez. Servindo-se com enorme destreza de pinceladas de acrílico em tela de linho, Escauriaza leva o espetador numa viagem pela poesia que existe em lugares e espaços, mostrando-lhe a beleza do prosaico.

Na Igreja do Sacramento, em Lisboa.