A Galeria Monumental abre o ano de 2018 com com a inauguração, no dia 6 de Janeiro, sábado, pelas 16h00, de duas exposições de pintura e desenho de João Gomes Gago – Reencenação – e Lourenço de Castro – Becoming Screen.

Reencenação
O abstraccionismo livre, instintivo, com base no movimento, é o que encontramos com mais frequência nas obras de João Gomes Gago. Surge uma clara tendência em organizar e agrupar factores rítmicos, em séries de incisões paralelas, sinuosidades descontínuas, círculos não exactamente regulares, sinais de intensidade variável, etc.

Atuando sem uma pré-condição, em qualquer das suas formas, a abstracção opõe-se dialecticamente a modelos de um mundo concreto. Uma visualização de energia, nos seus ritmos, formas ordenadas e construídas, ou livres e expandidas.

Sendo o valor gráfico dependente do valor representativo, denota-se uma síntese da «posse» do suporte por ritmos simbólicos. É esta noção de «posse» que se subentende em alguns dos seus trabalhos, como uma espécie de “ferimentos” que parecem ter sido produzidos por acções de carácter provisório, em que o desenho explica o próprio processo.

É visivelmente descrita esta intencionalidade física da incisão, em trabalhos rasurados com as suas unhas, x-actos, objectos afiados ou no desgaste por fricção.

O elemento “casual” e o limite dos materiais tem já vindo a ser uma característica dominante na sua abordagem processual.

Becoming Screen
A exposição de Lourenço de Castro intitulada Becoming Screen reúne um conjunto de pinturas que abordam o modo como a imagem se torna presente. São o produto de uma construção plástica orientada no sentido da obtenção de signos visuais resultantes da transformação da matéria sujeita à força da gravidade e ao gesto de quem a produz. A aparente constituição instantânea da imagem na superfície pictórica é comum a todas as pinturas, e a sua colocação no espaço expositivo pretende potenciar leituras do todo como algo orgânico, que se articula em zonas de continuidade mas também de disrupção.

Biografia (resumida):
Lourenço de Castro nasceu em 1972. Vive e trabalha em Lisboa.
Curso Avançado de Artes Plásticas no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, de 2000 a 2002;
Plano de Estudos Básicos de Pintura no Ar.Co, de 1997 a 2000;
Licenciatura em Arquitetura, Universidade Lusíada (Lisboa), de 1990 a 1996.

Exposições individuais (seleção):
Atlas 2009/2017, Galeria da Livraria Sá da Costa, Lisboa, 2017
Dust is everywhere, Museu Geológico, Lisboa, 2016
Sem Estilo – Modo Heterogéneo, Centro Cultural de Cascais, 2015
Linha, Mancha, Plano, Museu Nogueira da Silva, Braga, 2014
Um Corpo num Espaço, Galeria Monumental, Lisboa, 2013

Exposições coletivas (seleção):
Apropriação, Desejo e Memória, XIX Bienal de Arte de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, 2017
TERRA DE NINGUÉM, Espaço AZ, Lisboa, 2016
Arte Hoje 2014 – Premiados, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 2016
TIAF London, The Rag Factory, Londres, 2014

Ambas na Galeria Monumental.