‘Dimensões Variáveis’ é um termo descritivo muito utilizado nas legendas de obras de arte, especialmente no campo da arte contemporânea, mas de uso raro no domínio da arquitetura, no qual as dimensões são construídas, logo definidas, por natureza. A exposição, no edifício Central Tejo, em Belém, propõe um novo olhar e inventa novos diálogos sobre esta relação entre artistas e arquitetura.

A exposição partiu da publicação «Artistas e Arquitetura: dimensões variáveis», editada pelo Pavillon de l’Arsenal em Paris em 2015.

O projeto ‘Arquivo e Democracia’ é um ensaio visual sobre as mulheres de origem filipina que trabalham em Hong Kong, em serviços domésticos, e ocupam as ruas de Central aos domingos.

A exposição, que faz coincidir o corpo fotográfico e o corpo videográfico de José Maçãs de Carvalho, desenvolve-se em torno deste acontecimento protagonizado por uma comunidade de empregadas domésticas que se reúnem nas ruas do centro de Hong Kong, habitando-as como se de uma casa ou um quarto se tratassem, fazendo coincidir o espaço público com o espaço privado.

As imagens revelam um confronto, mesmo que ingénuo, entre a escala desmedida e espetacular da arquitetura e a monumentalidade das milhares de mulheres filipinas que trabalham na cidade e que nela descansam, ao domingo.