raposas

Figurou na lista negra do senador McCarthy e deixou de receber os direitos da sua obra por se recusar a denunciar os amigos. Feminista, tomou posição contra o nazismo, viajou para Espanha durante a Guerra Civil, discutiu política com outros escritores do seu tempo, de Hemingway a Faulkner. Falamos de Lillian Hellman, dramaturga de grande êxito na Broadway e autora de uma peça de 1939 na qual o Teatro Aberto encontrou uma descrição certeira da realidade nacional: um enredo que daria um filme (e deu, protagonizado por Bette Davis) ou uma comissão de inquérito (e também deu, protagonizada por estrelas da banca). Inspirada nas disputas travadas no próprio seio da família de Hellman, As Raposas expõe a história exemplar de três irmãos que lutam pelo controlo do negócio familiar. Neste combate fratricida, há quem olhe a meios e quem só olhe a fins, quem se adapte ao presente e quem se agarre ao passado, quem vença pela força e quem espere pelo momento certo, quem seja pragmático e quem escute o coração. A versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos transporta para os nossos dias a ação de As Raposas, salientando as paixões desencadeadas pela ânsia de poder e dinheiro e questionando os valores que regem as sociedades em que vivemos.