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“A secreta obscenidade de cada dia” é uma comédia surpreendente.
Do primeiro ao último momento o público será conduzido através da narrativa inteligente de Marco Antônio de La Parra, ao mesmo tempo que tentará decifrar a vida e os segredos de dois homens, que por acaso (ou não) se conhecem naquele dia, num banco de jardim, em frente a um conceituado e famoso colégio feminino.
Qualquer utopia, qualquer ideal, pode nascer ou desaparecer num banco de jardim.
Mas o que lá estarão verdadeiramente a fazer?
O segredo de cada um determina: ninguém é capaz de evitar que aconteça o que tem de acontecer, pensa um.
O princípio é o fim, pensa o outro.
O espectáculo coloca frente a frente as duas mais poderosas correntes do pensamento moderno, o marxismo e a psicanálise.
Em cena, um encontro impossível.
Karl Marx e Sigmund Freud defrontam-se, digladiam-se, divertem-se, expondo os seus medos e fantasias.
O texto foge do discurso e apoia-se na subtileza da acção.
“A secreta obscenidade de cada dia” é um espectáculo dinâmico e leve que obriga o espectador a perguntar-se constantemente qual será o rumo da história.
O jogo cómico é exposto de uma forma exemplar, exibindo lados aparentemente opostos da mesma realidade, empurrando-os para o espectador de uma forma vertiginosa – o raciocínio começa quando o público sai do teatro.
“A luta por um ideal, é um caminho, um percurso único”.