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Marilyn Monroe chega supostamente uma noite a Gainsville, na Flórida, à casa onde a sua mãe biológica Gladys Baker, uma mulher mentalmente enferma, vive na companhia de uma cuidadora, a jovem Lydia Martinez, de ascendência cubana.

Parece estarmos no Verão de 1962, pouco tempo antes da morte de Marilyn, mas esta não passará somente de uma impressão inicial. Nada é o que aparenta ser numa peça que joga em permanência com a simulação teatral de identidades.

Gladys, não obstante a doença psíquica que a impediu de criar a filha, mantém hoje, surpreendentemente, um lúcido duelo verbal com esta mulher que a visita e lhe assegura ser aquela que ela deu à luz com o nome de Norma Jean.

Mas será Lydia a quebrar esta primeira ilusão dramática, ao declarar que duas décadas se passaram desde a morte de Marilyn, e a visitante que ali está jamais poderia ser ela, embora Gladys se deseje enganar a si mesma, porque esta ficção a consola por momentos pela perda precoce da filha, tornada «Vénus do cinema».

Mas existem mais simulações inesperadas numa peça repleta de sobressaltos na inscrição temporal em que a suposta acção decorre. Gladys, ela mesma, também não é quem diz ser porque Gladys Baker também já morreu há alguns anos, em Gainsville.

E se Kathy de Sousa é o nome verdadeiro da jovem luso-descendente que ganhou um concurso de sósias de Marilyn, quem se esconderá no perfil da actriz que simula o papel de Gladys, nessa espécie de casa temática de que somos inesperados espectadores?

O jogo das identidades entre estas três mulheres deflagra diante de nós e descobrimo-nos a testemunhar um evento cénico em tempo real no qual figuras e eventos históricos, simulacros deles e teorias da conspiração se enovelam para nos seduzir num crescendo emocionante de enigmas que aguardam resolução.

Com Maria Emília Correia, Núria Madruga e Sara Salgado sobem ao palco do Teatro Armando Cortez.