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O que Jesus comeu na Última Ceia? O chef Diogo Noronha mostra-nos

Com o motivo de celebrar a Páscoa, o canal História lança, pelo sexto ano consecutivo, o desafio gastronómico único e exclusivo a um chef conceituado, para a recriação da Última Ceia de Jesus Cristo e os apóstolos, adaptando-a a um estilo inovador.

Para a IV edição, o canal teve como principal inspiração o Mar, elegendo um dos melhores Chefs ligado à temática: Diogo Noronha, do Pesca.

“Este projeto já teve variadíssimas interpretações artísticas, por isso para esta nova edição quisemos fazer diferente. Inspirámo-nos num tema em exclusivo – o Mar, com o objetivo de homenagear Jesus Cristo e os apóstolos, todos eles chamados para serem “Pescadores de Homens”. Procurámos chefes conceituados que se relacionassem com o tema e que pudessem responder ao desafio de investigar o passado, de forma a apresentarem-nos uma proposta atual e inovadora do menu”, refere Carolina Godayol, Diretora Geral do The History Channel Ibéria.

Diogo Noronha, chef que nos habituou a uma cozinha pura, aliada ao estilo de vida sustentável e da qual o peixe fresco é a grande matéria prima, será o protagonista do especial A Última Ceia, um mini programa, com estreia no dia 23 de março, às 22h40, no canal História.

Ao longo do especial, os espectadores podem assistir ao processo criativo de Diogo Noronha para a recriação da ceia mais célebre da História, de acordo com a sua visão e inspiração pessoal.

“No tempo de Cristo, as últimas ceias tinham como propósito a preparação para o Sábado ou para um festival e era uma reunião religiosa na sua essência. Esta reunião era constituída de uma discussão religiosa seguida de um lanche simples com pão normal ou não levedado e vinho misturado com água, com um copo apenas passando por todas as pessoas que lá estavam”, começou por dizer o chef.

“Esta reunião era conhecida na cultura judaica como o Kiddush e era observado por pessoas piedosas no dia a dia, principalmente entre cristãos. É quase que certo que Jesus e os seus discípulos tinham o costume de observar esta reunião nas noites de sábado (para nós na sexta-feira à noite) ou nas noites antes dos festivais, como era a Páscoa. Não havendo certezas quando terá sido a ementa da Última Ceia proponho-me recriar um menu onde se reflita esta noção de ritual de passagem, de renascer, de ressurreição, de nova vida”.

Carolina Godayol e chef Diogo Noronha

O menu do chef do restaurante Pesca sustenta a recriação de quatro pratos: couvert, uma entrada, um prato principal de peixe e uma sobremesa, que refletem esta noção de ritual de passagem, renascer, ressurreição e de nova vida.

E eles são:
Couvert
Pão ázimo de sésamo e cominhos, mexilhão fumado, piso de urtigas e azedas
Entrada
Tártaro de atum, salada de trigo tufado, ervas frescas e avelãs
Prato Principal
Tamboril na brasa, cenouras brancas e raiz de salsa, caldo de açafrão e gengibre, algas e plantas costeiras
Sobremesa
Ovo de chocolate recheado com mousse de mel, própolis e damasco

Minimizar o impacto ecológico da cozinha que pratica também é uma das maiores preocupações do chef, tendo isso em consideração para a confeção do menu foram eleitos produtos que respeitam uma filosofia de sustentabilidade.

Diogo Noronha contou com a colaboração de Adolfo Henriques, produtor da Granja dos Moinhos, reconhecido pelo seu trabalho na pesquisa e utilização de técnicas e produtos antigos no sector alimentar, nomeadamente a produção do secular trigo barbela e Joana Sarrazy, da Quinta do Poial, uma jovem agricultora conhecida por fornecer legumes biológicos e ervas aromáticas a muitos dos grandes chefs em Lisboa.

“Os historiadores são consensuais em dizer que a Última Ceia era o cumprir de uma tradição judaica para a preparação da Páscoa. O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska. Na Idade Média os antigos povos europeus, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – eminglês, Easter quer dizer Páscoa”, explicou.

“Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo na sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. A celebração de Ostara comemora a fertilidade, um tradicional e antigo festival pagão que celebra o evento sazonal equivalente ao Equinócio da primavera. Algumas das tradições e rituais que envolvem Ostara incluem fogos de artifícios, ovos, flores e coelho. Os ovos eram mais um presente original, que simbolizava a ressurreição como início de uma vida nova”, frisou Diogo Noronha.

A proposta de menu A Última Ceia do chef estará disponível de 27 de março a 1 de abril, no restaurante Pesca, com morada no número 27 da Rua da Escola Politécnica (Lisboa), como opção de refeição ao almoço ou jantar (preço: 50€ por pessoa, Wine pairing: 25€)

A Última Ceia foi gravada no restaurante Pesca, na Doca Pesca (Sesimbra) e na Quinta do Poial – Agricultura Biológica (Setúbal), sendo emitida no canal História, durante a Semana Santa, a partir do dia 23 de março, às 22h40, até à Páscoa, dia 1 de abril.

Fotos: Facebook