Off the record

Soares: um Tiquinho que faz a diferença

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Aos 26 anos, feitos a 17 de janeiro, Francisco Soares é o homem de que todos falam. Pelo menos, os que se interessam por futebol e têm acompanhado os primeiros jogos de Dragão ao peito, reacendendo a chama na luta para o título.

Com a bola nos pés, o artilheiro brasileiro Soares mostra que há muito não é “um tico de gente”. Tiquinho, a alcunha que lhe deram por ser alto e magrinho, fez-se gente e é já um dos avançados mais temidos no campeonato nacional.

Na estreia pelo FC Porto, há cerca de duas semanas, assinou o bis que deu a vitória (2-1) frente ao Sporting catapultando, por algumas horas, a equipa azul e branca para a liderança.

Soares relançou a mística portista e, no jogo seguinte, no passado fim de semana, voltou a marcar, desta vez contra a anterior equipa, o Vitória de Guimarães. Mas, o que hoje parece fácil, nem sempre lhe sorriu, valeu-lhe o trabalho e a ajuda do amigo e antigo futebolista Deco – seu empresário – que abriram oportunidades para vingar.

Nascido em Sousa, no estado da Paraíba (sim, de onde também Hulk é natural), Brasil, Tiquinho cresceu em Natal, sendo que no Nordeste brasileiro todos torcem por mais tentos e excelentes exibições.

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Ainda em criança, antes de mostrar que podia ser alguém no mundo do futebol, Soares vendia gelados de água, os famosos ‘picolés’, nas bancadas dos jogos de domingo. Deu nas vistas quando jogava na favela Camarão havendo quem o comparasse ao guarda-redes Taffare, a antiga estrela da seleção canarinha.

Filho de Zé Nilton e Corrinha, tinha valor já em tenra idade, mas só aos 13 anos é que foi “resgatado” das ruas onde se destacou pela alta estatura a jogar futevólei, acabando no Centro Desportivo Felipe Camarão (CDFC), projeto social que procura combater a exclusão social através do desporto.

Estava dado o pontapé de saída para outros voos. O clube comprou-lhe as primeiras chuteiras para crescer como atleta e, cerca de um ano depois, passou a representar o Palmeiras das Rocas no estadual juvenil como atleta federado.

Seguiu-se o Américo de Natal, antes de um périplo pelo Brasil menos conhecido, com muitos golos na bagagem, mas sem o devido reconhecimento, até que, em 2015, atravessou o Atlântico até à Ilha da Madeira onde, durante época e meia, representou o Nacional.

No verão passado, mudou-se para o Vitória de Guimarães, onde as suas prestações começaram a ser cobiçadas pelos grandes. Com uma lacuna na linha da frente e com os conselhos do seu eterno “mágico” Deco, o FC Porto agarrou-o no mercado de inverno, na esperança de uma boa safra.

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Para já, o investimento está a dar frutos e são muitos os que fazem trocadilhos com o nome do goleador que, nos tempos livres, parece não querer saber de bola, dedicando todas as atenções à mulher, Ângela Silva, e ao único filho, Cristiano.

Por cá, durante a época, em dias de folga, o trio passeia pelo melhor que o país tem para oferecer, enquanto nas férias é certo o regresso quer ao bairro Felipe Camarão em Natal como bairro de Angelim, em Sousa. Soares não renega as raízes e tem por lá adeptos incondicionais agora rendidos ao azul e branco do dragão.

Homem de fé, tem nas caneleiras que o protegem as imagens de Jesus, a Imaculada Conceição, uma fotografia dele com a mulher e outra com os pais e a irmã Patrícia, mostrando assim quem são os seus principais apoios.

Veja as fotos dos melhores momentos de Soares no FCP: