Off the record

José Pedro Gomes: um regresso muito esperado

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José Pedro Gomes é um dos atores mais queridos do público português. Com mais de quatro décadas ligadas à arte de representar, continua cheio de vontade de fazer rir o público português.

Nunca escondeu que ‘A Conversa da Treta’ foi um dos trabalhos que mais o marcou e depois de seis anos sem vestir a pele de ‘Zézé’, volta ao palco para mais um episódio da ‘treta’.

Desta vez sem António Feio, de quem tem “muitas saudades”, mas com “um filho à altura”: António Machado. “Uma escolha natural, óbvia e muito boa” na opinião do veterano ator.

Mantêm-se as cadeiras, a discussão, a divergência de opiniões, junta-se uma pitada de atualidade, de emotions, selfies, e “porkemons” na voz de ‘Júnior’ e o sucesso está garantido.

Sem pretensões de “substituir alguém” – “até porque o António Feio é insubstituível” – a dupla promete arrancar gargalhadas de quem os quiser ver no Auditório dos Oceanos do Casino de Lisboa.

“Queríamos reviver esses momentos trazendo novo público ao teatro”, explica adiantando que “continuará a existir uma certa dose de irracionalidade nas personagens e mantivemos os ‘suponhamos’, uma das caraterísticas da conversa”.

Crente que, de alguma forma, “o Tóni está ali, conosco, e feliz por darmos continuidade a este projeto”, José Pedro garante que esta peça não foi feita com o objetivo de homenagear António Feio, embora haja uma série de referências à icónica personagem que o notabilizou.

“Desde que o António morreu que digo que ele anda por aí a organizar uma turnée que iremos fazer algures. E agora temos o Júnior para se juntar a essa grande festa”, brinca orgulhoso do trabalho que tem em mãos.

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José Pedro Gomes não poderia estar mais contente e emocionado com o que aí vem. ‘Filho da Treta’ é o primeiro trabalho do humorista oito meses depois de ter sofrido uma pneumonia atípica que o manteve quase três meses no hospital – parte do tempo em coma induzido e com prognóstico reservado.

Longe do burburinho da televisão desde a sitcom ‘Hotel 5 Estrelas’, da RTP, que foi para o ar em 2002, o ator mantém-se “fiel” ao teatro.

É no palco que mostra toda a sua garra e vontade de viver. Com 64 anos e muitas histórias para contar, confessa não pensar na reforma.

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“Quando acordei estava perdido no tempo”, recorda desses tempos passados numa cama do Hospital de Cascais. “Sinto que me ficaram a dever tempo de vida”, justifica.

Foi a vontade de trabalhar que, também, fez com que o ator se agarrasse à vida: “Depois de acordar do coma e já com as ideias no lugar trabalhei com os médicos para sair dali o mais rápido possível. Tinha mais que fazer! Não sou doente profissional, a minha vida não é estar em hospitais”.

“Completamente recuperado” e com a noção que “algum dia” terá de “abrandar” o ritmo frenético com que leva os seus dias, José Pedro centra-se agora na estreia. Um momento que, embora tantos anos depois, continua a deixá-lo “com borboletas na barriga”. “Estou nervoso”, conclui.

Com uma tournée pelo país já pensada, o ator mostra-se com a força de outrora para a alegria dos fãs.

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