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André Silva: a nova coqueluche do Dragão à conquista do mundo

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6 de agosto de 2016, Estádio do Dragão.

Decorria a festa de apresentação do FC Porto aos sócios, com os jogadores a subirem um a um ao relvado do recinto portista, quando o speaker de serviço anuncia na instalação sonora: “Com a camisola número 10, André…”

“SIIIIIILVAAAA”, completaram os mais de 45 mil adeptos presentes nas bancadas, em delírio total com aquele que é a nova coqueluche azul e branca. O avançado saiu da zona dos balneários com um sorriso de orelha a orelha e seguiu pelo caminho delineado até ao palanque montado no centro do terreno do jogo, debaixo de uma grande ovação.

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Ao passar pela “Curva Pinto da Costa”, o quartel-general dos Super Dragões, abrandou para agradecer os cânticos que a claque mais representativa do FC Porto lhe ofereceu em exclusivo, seguindo depois para junto dos colegas de equipa.

No termómetro mediático que é festa anual dos dragões, André Silva atingiu temperaturas máximas. Consequência de ser um menino da casa e, sobretudo, dos golos que vem a marcar. A essa cerimónia de apresentação, que teve no jogo com o Villarreal o seu ponto mais alto, o internacional jovem português chegou com sete golos em outros tantos jogos disputados nesta pré-temporada. Viria a marcar o oitavo nessa partida com a formação espanhola, provocando nova explosão de alegria nas bancadas do Dragão.

André Miguel Valente da Silva é o nome completo deste jovem, de apenas 20 anos, natural de Baguim do Monte, freguesia de Rio Tinto, no Concelho de Gondomar, Distrito do Porto. Um Valente que escolheu tão só o André e o Silva para figurar no dorsal das camisolas que foi envergando ao longo desta sua ainda curta carreira.

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Não foram muitas, mas já passou por todos os mais carismáticos clubes da cidade Invicta. Começou no Salgueiros, onde recebeu o apelido de Deco, um dos maiores craques da história dos dragões, vincou depois a sua qualidade no Boavista e no Padroense, até que chegou ao FC Porto, onde virou agora estrela da companhia.

Dono de uma ambição desmedida, pretende levar o seu talento muito para além das fronteiras do Porto, pois não esconde que quer tornar-se no melhor ponta-de-lança português e do mundo também.

Com um coração de dragão, começou a notabilizar-se em 2012/2013, nos juniores portistas, época em que marcou 28 golos em apenas 33 jogos. Mas, como acontece em todas as relações marcantes, também esta do avançado com o FC Porto sofreu um abalo, embora insuficiente para derrubar os alicerces da paixão que os une.

Em 2014, André Silva começou a despertar a cobiça dos clubes estrangeiros, depois de ter marcado quatro golos numa partida do Campeonato da Europa de Sub-19, entre Portugal e a Hungria (6-1). Estava prestes a entrar no último ano da sua ligação com o FC Porto e, na hora de negociar a extensão do vínculo, exigiu um contrato à altura das suas qualidades.

O processo foi-se arrastando sem fumo branco e choviam propostas de clubes ingleses. André chegou mesmo a ser afastado das opções do FC Porto B, equipa que representava na altura, mas o acordo lá foi alcançado para alívio dos adeptos portistas, que já o colocavam na peugada de outros goleadores da história do clube, como Fernando Gomes ou Domingos Paciência.

O jovem goleador não só renovou o contrato como ainda aceitou que lhe fosse colocada uma cláusula de rescisão de 25 milhões de euros, por forma a afastar potenciais aliciamentos dos clubes financeiramente mais poderosos da Europa.

Mais tarde, viria a cumprir o sonho que idealizou em 2013 de representar a equipa principal do FC Porto. Um sonho que prossegue agora bem vivo, com o jogador a preparar-se para dar o próximo passo, o de fixar-se na Seleção Nacional.

A verdade é que André Silva esteve bem próximo de integrar os 23 convocados de Fernando Santos para o Euro2016 e, se assim fosse, já teria juntado ao seu currículo um campeonato europeu de seniores.

Depois dos dois golos que o avançado portista apontou na última edição da final da Taça de Portugal, entre o FC Porto e o Sporting de Braga, muitos foram os que criticaram o facto de o selecionador nacional não o ter incluído nos eleitos para o Campeonato da Europa.

Fernando Santos teve mesmo de justificar-se publicamente: “Fui ao Dragão para vê-lo no FC Porto-Sporting mas ele não jogou, simplesmente não jogou… Para mim era muito importante ver o André em ação numa partida desse nível.”

O selecionador acabou por levar um único ponta-de-lança para a prova em França. Optou por Éder e com os resultados que todos conhecemos. Fernando Santos foi perdoado e, certamente, André Silva terá muitas mais oportunidades para vincar as suas qualidades na equipa de todos nós.

Afinal de contas, ainda só tem 20 anos, reúne a confiança total do treinador do FC Porto, Nuno Espírito Santo, e tem o mundo para conquistar.

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