Off the record

Ricardo Quaresma: a prova de que os anos lhe caem bem

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Personalidade, teimosia, chamem-lhe o que quiserem, mas certo é que o “mustang” do futebol tem uma raça desmedida. Aos 32 anos, Ricardo Quaresma está mais ponderado nas atitudes e isso refletiu-se no trabalho que mostrou na última época ao serviço do Besiktas, sagrando-se campeão na Turquia, e nos mais recentes jogos da seleção nacional.

Fernando Santos não teve medo de arriscar, acreditando no potencial de um jogador que tem tudo para brilhar e ajudar uma equipa a ir a bom porto. Quaresma faz parte dos 23 lusitanos no Euro 2016, para gáudio de quem, nas redes sociais, torce pela recuperação da mialgia que o acometeu nos últimos dias.

À hora em que editamos este texto, ainda não se sabe se joga contra a Islândia, no encontro da primeira jornada do grupo F, esta terça-feira, pelas 20 horas, em Saint-Étienne. Alguns já o puseram fora do jogo, mas outros acreditam numa surpresa na hora H.

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Muitos dizem que “sempre teve melhores pés que Cristiano Ronaldo, mas faltou-lhe a cabeça”… Um pormenor que fez a diferença quando foi preterido pelos selecionadores nacionais anteriores. Mas, os anos passaram, e o “Harry Potter” (outra das alcunhas do craque) amadureceu e muito bem, como tem dados provas.

Ao lado de Dafne, Quaresma encontrou a estabilidade, reforçada com a paternidade. A Ariana, de um relacionamento anterior, juntam-se agora Ricardo e Kauana, revelando o lado mais sensível do futebolista. Em declarações recentes a Daniel Oliveira no “Alta Definição”, na SIC, assegurou que, ” se tivesse de morrer agora por um (deles), morria sem problema nenhum”.

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A forte ligação familiar estende-se ainda à mãe, D. Fernanda, e ao irmão mais velho, Alfredo, também ele jogador. Uma união que se fortaleceu sobretudo após a separação dos pais tinha Ricardo seis anos. A infância “não foi fácil” e, como já reconheceu, isso tornou-o “um pouco revoltado”.

“Sei que sou reservado, às vezes pareço antipático. Sou um pouco revoltado, admito-o. Revolto-me, por exemplo, ao ver as crianças pedirem coisas que não podem ter. Se as pessoas soubessem o que passei na infância talvez percebessem a razão pela qual sou assim!”, disse numa entrevista.

Do pai, António, Ricardo Quaresma herdou o sangue da etnia cigana que somou à herança angolana da parte da mãe. Foi vítima de preconceito, recordando que “aos olhos dos outros era sempre culpado”. “Há muita gente que diz que não há racismo, mas infelizmente ainda ligam a isso (…) por ser cigano o alvo era logo eu, era uma criança revoltada por isso (…) um dia desapareceu um casaco da escola e os pais começaram logo a dizer que de certeza tinha sido o cigano (…) mais tarde a verdade veio ao de cima e perceberam que não tinha sido eu”, relatou na televisão.

Mesmo descriminado, até nos relvados, Quaresma nunca renegou as raízes: “Sempre senti o cigano como uma maneira de me ofenderem, mas enganam-se eu tenho orgulho de ser cigano. Não há povo mais alegre”.

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Diferente em campo, especialista em inesperadas trivelas, o extremo também se desmarca na rua pela forma irreverente de se vestir, pelas tatuagens e acessórios, sobretudo os brincos em brilhantes, umas das perdições de quem fez o primeiro brinco com um pingente de um candeeiro.

Quaresma é admirado por uma maioria, mas não é consensual como se viu o ano passado, quando após regressar ao FC Porto acabou por sair “sem saber porquê”. Eu nunca pedi para sair. Nunca me explicaram o porquê e isso custou-me um bocado porque é um clube que eu amo e um clube que respeito para sempre”, admitiu no pequeno ecrã, já depois de agarrado o bilhete para o Europeu.

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