Off the record

Nelson Évora: um homem de grandes saltos contra quaisquer obstáculos

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Aos 31 anos, o atleta Nelson Évora é uma referência no desporto nacional, não só pelas conquistas obtidas, mas sobretudo pela determinação com que ultrapassou lesões que o desviaram do sonho algumas vezes, mas não o impediram de “voar” no Campeonato do Mundo de Atletismo, há quase dois meses, em Pequim.

Sete anos depois de ter conquistado a medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos, Nelson regressou ao mesmo Estádio e conquistou a medalha de bronze com a marca de 17,52 metros, superando quaisquer resultados obtidos após regressar de longa paragem, duas cirurgias e uma dura recuperação.

“Já há um ano e tal que andava a preparar o meu recomeço…sem dúvida, que esta época foi plena e é isso que se quer”, reconheceu. Ainda este ano, em março, tinha já arrebatado o título europeu de pista coberta, em Praga, com 17,24 metros registados.

Apesar do bom regresso, “é sempre complicado”. “A carreira de um desportista constrói-se durante muitos anos e parar, fazer o tipo de operações que eu fiz,  tira muitas aptidões. Tive que me recuperar de todas elas, uma por uma e, sim, foi custoso”, assumiu, acrescentando que “esta segunda oportunidade tem um valor especial”.

Empenhado, “estou a fazer valer a pena tudo aquilo que eu passei”, destacou, recordando as saudades que teve de se sentir “em forma e competir”: “Essa é das coisas que penso que irei sentir mais saudades quando um dia deixar a modalidade. Nesta minha ausência das pistas, tive mais saudades de me sentir em forma porque é uma sensação muito boa, sentirmo-nos como super atletas. São muitos anos a prepararmo-nos para um só momento em que nos sentimos super e, sem dúvida, que foi do que senti mais saudades”.

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Os sucessos alcançados motivam para as próximas vitórias, sendo que  “o objetivo desta época é muito simples: bater a barreira dos 18 metros, rezar pelo recorde do mundo e ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos (no Rio de Janeiro), de preferência de ouro”. Planos traçados, Nelson Évora só deseja “que as pessoas se desloquem às pistas para ver atletismo e acompanhar os nossos melhores atletas”. De resto, “é bom sentir que influencio, de alguma forma, com as medalhas, para que as pessoas acompanhem, embora pela televisão, as provas” acrescentou.

O campeão conversou com a Move Notícias nos bastidores da ModaLisboa, após o desfile de Miguel Vieira de quem é fã. “Tem peças de que gosto para mim e gosto essencialmente porque traz sempre algo de novo. Há estilistas que arriscam pouco, ele arrisca sempre. Sou também fã da Fátima Lopes e do Nuno Gama. Para além, disso,  sou uma das caras da campanha de comunicação da Timers para Moda Lisboa, por isso não podia deixar de vir”, justificou.

Um habitué do evento, Nelson Évora recordou que pisou a passerelle “a convite do Nuno Gama”, em 2008, que lhe pediu “para desfilar de sunga”, uma peça que não usa habitualmente por ser “muito envergonhado”. Mas, “pode ser que no Brasil” embalado pelas vitórias se atreva à ousadia, apesar de ter “um estilo mais conservador”.

À parte as modas e antes de retomar os treinos nas pistas, o especialista no triplo salto, usou o tempo de antena para aconselhar os mais jovens a fazerem o que mais gostam  “por paixão e não por pensar naquilo que lhes possa trazer mais dinheiro ou tirar algum partido que não seja o prazer de o fazer, sempre com os estudos em vista”. Isto porque “a formação académica é o que vai assegurar o futuro de todos nós”, concluiu, certo de que é um exemplo para as novas gerações.

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Fotos: José Gageiro